Jessie Miranda

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Até nas flores encontra-se a diferença da sorte; umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

O poeta dança seu novo poema a cada linha.
A leitora de toda obra lê e silencia.
A nova leitora, eufórica, acredita,
Naquelas palavras bonitas,
Naquele peito miúdo,
Oprimido, de tanto saber.

Sabe, não sente.
Porque poeta, mente.
Escreve o que sente,
Mas não tem coragem de viver.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Para sentimentos que não se dão nomes, qualquer palavra é vã.
É preferível o silêncio, ainda que haja a escrita.
Silenciosa, mas presente.

Essa tarde calma de céu aberto e brisa suave, parece-me trazer você. Acariciando meu rosto. Eu inclino minha cabeça para o lado, de olhos fechados, e encaixo as costas de sua mão no meu ombro. Não sei se é minha saudade latente, mas, hoje gostaria de repousar minha mão sobre a tua e seguir assim, em silêncio. Só por isso eu agradeceria.

Ia te olhar nos olhos vagarosa e lhe sorrir com a alma. Aos poucos, as mãos naturalmente seguiriam o percurso dos braços e formariam um abraço. A energia do abraço em silêncio. Essa seria a minha melhor palavra. A única. O meu abraço.

Um abraço onde sei que os queixos iam de repousar entre a linha tênue de pescoços e ombros. Aqueles de corpo. Onde os corações possam quebrar o silêncio que está aqui desde então. E dançarem. Juntos. Até que, respirações e pulsos, entrem em compasso bailando em segredo um tango ou um bolero e, de olhos fechados, perceber que nossos corpos dançam tímidos: "são dois pra lá, dois pra cá"...

De olhos fechados, é possível alcançar o distante, enxergo pontes entre abismos e assim se torna mais fácil a travessia. Esta que, de olhos abertos é amarga e vazia.

Abraço é laço, de amor, de energia esperança e saudade.

O pensamento é uma oração.

Amém.

Um abraço pode ser a fonte de cura para as dores profundas da alma.

Se podes ver, repara.

sábado, 21 de outubro de 2017

Just say

Sentimentos podem ser tóxicos,
Podem ser bálsamos.
Transborde os ruins para o ralo.
Os bons projetados ao universo.
Mas, nunca os guarde apenas dentro do peito.
Mesmo o amor que não se vive em matéria,
Não significa que não exista.

Não sejamos nossas próprias prisões.
Nosso corpo precisa se conectar com o todo, para fluir como a corrente de um rio exaltando a Natureza.
Nossa mente é assim será conexão mais rápida com o universo.

Não sabe por onde começar?
Apenas diga.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ᥲ u t o r r ᥱ t r ᥲ t o

Ando num louco caso de amor comigo. Inteiro, intenso e respeitoso.

Ao sair ao meu encontro, dei para sentir aquelas coisas que, só quem ama sente. A alegria em estar presente, em se fazer presente unicamente para si.

Ando num louco caso de amor comigo, porque durante muito tempo eu era justamente o que me faltava. E, achando-me completei as lacunas que só poderiam ser preenchidas de mim; comigo.

Por mim.
(Jéssica)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Afago

Era manhã de um sábado.
Fazia sol, pelo horário o calor ainda era tímido. Despertei com um leve afago no rosto. Ao abrir meus olhos, a primeira visão do dia foi o seu sorriso. Sem qualquer palavra, no silêncio.
O meu despertador predileto se tornou o seu toque acompanhado do privilégio de te ter como primeira visão do dia, você assim, ali, presente, olhando para mim. Poderia fazer esses momentos durarem séculos. Por que a vida tem que ser tão corrida e menos contemplativa?
Você, já de banho tomado, perfumado, com seus materiais de aula separados, prepara o nosso café, enquanto me arrumo para acompanhar suas aulas matinais de música.
Já na cozinha, lhe dou um beijo de bom dia, nada demorado, só minha forma de retribuir a alegria de acordar da melhor forma que eu poderia. Tomamos nosso café falando sobre a noite que se seguira, se o sono foi de refazimento ou perturbador. E mesmo que tivesse algo de ruim, naquele momento, isso já não fazia diferença. Terminamos nosso café pegamos suas coisas e saímos.
Descemos os dois lances de escada ao caminho de seu carro, nossa bolha.
Ao entrar no carro e soltar meus cabelos para arrumá-lo, você manifesta um outro afago, emaranha-se entre os fios para sentir mais de perto perfume do shampoo e a textura dos fios. Neste momento, sinto-me gigante, algo dentro de mim parece expandir e se conectar com o universo. Eternizo assim este momento também.
Já na escola de música, chegamos com a sua aluna nos esperando. Sim, nos esperando porque ela pede que eu acompanhar a aula.
Dizemos que aquela menininha de óculos, tão amável e amada, louca por tocar guitarra, poderia ser nossa filha, ou a inspiração no caso de unirmos nossos sangues. Entre uma nota entoada e outra, trocamos alguns olhares entendendo o significado que tivera.
Após o almoço, vamos para nosso canto secreto, nossas horas de deitar no peito um do outro, nos acolhermos no silêncio onde só ouvimos nossos corações pulsarem compassados. Lá, o beijo é longo, o toque é quase um transe, ali, somos dois. Conectados.

Adormeço nos seus braços ouvindo sua respiração, viro para o lado com o pé colado no seu.

Acordo, ouço o celular, despertando o meu sono.
O teto é branco, o quarto é sombra.
E eu sou só.
Levanto, eu e as lembranças daquele sonho de vida que me despertara eternamente para o real sonho de vida.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Cantiga De Enganar

O mundo não vale o mundo, meu bem. 
Eu plantei um pé-de-sono, 
brotaram vinte roseiras. 
Se me cortei nelas todas 
e se todas me tingiram 
de um vago sangue jorrado 
ao capricho dos espinhos, 
não foi culpa de ninguém. 
O mundo, meu bem, não vale
a pena, e a face serena 
vale a face torturada. 
Há muito aprendi a rir, 
de quê? de mim? ou de nada? 
O mundo, valer não vale. 
Tal como sombra no vale, 
a vida baixa... e se sobe 
algum som deste declive, 
não é grito de pastor 
convocando seu rebanho. 
Não é flauta, não é canto 
de amoroso desencanto. 
Não é suspiro de grilo, 
voz noturna de correntes, 
não é mãe chamando filho, 
não é silvo de serpentes 
esquecidas de morder 
como abstratas ao luar. 
Não é choro de criança 
para um homem se formar. 

(...) 

Não é nem isto, nem nada. 
É som que precede a música,
sobrante dos desencontros 
e dos encontros fortuitos, 
dos malencontros e das 
miragens que se condensam 
ou que se dissolvem noutras 
absurdas figurações. 
O mundo não tem sentido. 
O mundo e suas canções 
de timbre mais comovido 
estão calados, e a fala 
que de uma para outra sala 
ouvimos em certo instante 
é silêncio que faz eco 
e que volta a ser silêncio 
no negrume circundante. 
Silêncio: que quer dizer? 
Que diz a boca do mundo? 
Meu bem, o mundo é fechado, 
se não for antes vazio. 
O mundo é talvez: e é só. 
Talvez nem seja talvez. 
O mundo não vale a pena, 
mas a pena não existe. 
Meu bem, façamos de conta. 
de sofrer e de olvidar, 
de lembrar e de fruir, 
de escolher nossas lembranças 
e revertê-las, acaso 
se lembrem demais em nós. 
Façamos, meu bem, de conta
— mas a conta não existe — 
que é tudo como se fosse, 
ou que, se fora, não era. 
Meu bem, usemos palavras. 
façamos mundos: idéias. 
Deixemos o mundo aos outros 
já que o querem gastar. 
Meu bem, sejamos fortíssimos 
— mas a força não existe — 
e na mais pura mentira 
do mundo que se desmente, 
recortemos nossa imagem, 
mais ilusória que tudo, 
pois haverá maior falso 
que imaginar-se alguém vivo,
como se um sonho pudesse 
dar-nos o gosto do sonho? 
Mas o sonho não existe. 
Meu bem, assim acordados, 
assim lúcidos, severos, 
ou assim abandonados, 
deixando-nos à deriva 
levar na palma do tempo 
— mas o tempo não existe, 
sejamos como se fôramos 
num mundo que fosse: o Mundo

(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

ACENO

Essa escrita abaixo não é minha, mas, talvez fale de mim em uma época em que só havia sentimento sem estado.
Mas se o sentir é vivo, existia em cada caractere das lindas e das lágrimas que acariciavam seu rosto quando eu não podia.
Hoje, tomo seu texto para dar voz ao meu peito.

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Fica esse desconforto de se projetar à frente uma paixão cansada de se apaixonar, imersa na sensação de já ter encontrado seu porto definitivo e se afogado nas âncoras da sua própria vastidão. Fica essa desesperança, esse mormaço quente a fechar os poros para as ventanias do futuro. Fica essa fé efetiva aos crédulos e endurecidos do mundo, mas impotente aos poetas, aos loucos, aos amores, aos poetas loucos de amar.

Fica esse impulso de jogar a vida ao alto, sem me lembrar de que esta, há muito, já se atirara ao solo, os braços em forma de asa amputada. Fica essa sensação quase palpável do calor de uma respiração ofegante do passado, que dia a dia vai se partindo, a cada suspiro de saudade solto diante de uma frase, uma carta, de uma foto, esse pedaço de vida enquadrado. Fica essa vontade enjaulada, essa fera em descontrole, essa festa na masmorra.

Fica essa falta de adjetivos na boca e esse excesso de poesia nas carícias que não são de ninguém. Fica essa dor de crucificado, esse corpo atirado ao leito da insônia. Fica essa vida que persiste em viver, que não me abandona, nem me responde aos apelos. Fica esse telefone mudo, essa chave que não gira, essa porta que não range.

Fica essa inutilidade em escrever, essa insignificância de ser, essa perda de valor dos anéis, esse lamento pelos dedos que se foram. Fica esse boa-noite parco, esse abraço fosco, esse beijo seco, esse entrelaçar irrisório, essa prosa sem vontade. Fica essa vida besta de Drummond, essa metrópole travestida em cidadezinha qualquer.

Fica essa mesa cheia de contas, esse copo cheio de uma bebida que até então me era estranha, esse choro baixo. Fica essa mão estendida, esse lábio entreaberto e calado diante da falta de opções, esse presente despido de qualquer ansiedade.

Fica essa casa sonolenta, esse filme sem enredo, essa falta de atenção, esse dinheiro que sobra para tudo e é como se não sobrasse para nada. Fica esse consolo da solidão, inevitável redentora, mãe de todos os descrentes, a trazer nos braços serenos os motivos, os porquês, as regras de uma vida que não se explica por si mesma. Fica esse pacto com a morte, essa velha dama de botas escurecidas, que ri sarcasticamente da glória do meu desencontro, sem desconfiar que já se tornara, desde então, minha única amante.

ACENO
Por: Eric Brandão.

sábado, 17 de junho de 2017

Inteira

30/04/2014
Porque durante muito tempo eu era justamente o que me faltava.
E, achando-me, completei as lacunas que só poderiam ser preenchidas de mim; comigo.  Por mim. #fragmentos

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sobre os copos dos corpos.

Das sobras de um copo quase vazio, jogado em um canto.
Há um coração esquecido. Largado.
Após bebericar todos os sentimentos que nele haviam.

De sentimentos; embriaguei-me.

(Escrito em 14/04/2015. Editado).

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Lua

E ela, que dormia encostada na vidraça do coletivo em movimento, semicerrou seus olhos e deparou-se com a magnitude do seu amor. A lua.
E a desta noite,  ela que, mesmo sem ter aproveitado o seu dia, mesmo tendo dedicado toda sua boa energia à outras pessoas, que provavelmente não verá nunca mais.
Ela, por três segundos, aproveitou sua noite, por causa da lua.
De todos seus amores, a primícia de todos eles vêm da LUA AMARELA e, por amá-la desta forma, esta noite amou tudo que está em seu coração, suspirou, fechou os olhos e dormiu novamente, pois lá, exatamente lá, nos sonhos, onde a lua está sempre como ela ama, amarela e majestosa, ela encontra seus amores, enlaça-os num laço de nó. Eternamente.

Até os que já se foram, que partiram para sempre, e vivem através do amor, essa saudade ardente.

Por: Jéssica Miranda.
(07/02/2015)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

As minhas asfixias,
Surgem quando mergulho.
Acidentalmente.
No meu oceano mais profundo.

Das minhas asfixias,
Que se dão quando enxergo a linha do horizonte e nada vejo,
Mas é tamanha sua magnitude,
Que desperta-me grandiosos sentimentos.

Guardados a sete chaves.
Até de mim.

Por: Jéssica Miranda
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O que permitiremos da vida para nós!?
O que poderá ser efêmero, um instante, momentâneo...
Decerto que os pequenos instantes de alegria, euforia, contentamento no que quer que tenhamos prazer, é um néctar para a alma.
Porém, não é na embriaguez, mas na ressaca, que encontramos a reflexão sobre quem somos. Ou quem desejamos ser.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Sexismo atuação sútil e invisível do culto ao corpo alheio

É extremamente triste constatar que:
A mulher não tem nem o direito ao prazer de tomar um sorvete tranquilamente na rua.

Até nos nossos mínimos movimentos, infelizmente, o sexismo atua.

Toda ação começa no pensamento.
É para se refletir.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

"Toda transformação é dolorosa, mas nem toda dor é de todo ruim."

"A arte tem q necessidade de provocar mudanças de conceitos. É provocativa, do contrário, não é arte.
É entretenimento."

A cada dia me convenço mais e mais disso.

domingo, 4 de dezembro de 2016

  Não abandonamos os medos de criança.
A ânsia em crescer, nos faz barganhar os medos maduros dos adultos.
  Os que nos entorpecem, nos endurecem e emburrecem também.
Nessa troca desaprendemos muitas coisas.

Ou tudo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Todo vazio é fome.
Todo excesso é gula.

Ganância.

.De todos os beijos que tocaram meus lábios,
Quentes. Molhados, vagarosos e urgentes.
Apenas de lábios, de língua, saliva e dentes,
Em todos estes beijos, haviam a intensão de tomar algo meu para si.

Do seus, apesar de composto por todos esses elementos,
Dos seus, existiu apenas o desejo de doar-se inteiramente para mim.

E da generosidade em doar-se,
Nascem grandiosas coisas,
Ainda que tardias, mas não menos preciosas.

#Fragmentos

domingo, 27 de novembro de 2016

Sentir o verbo

α u t o r r e t r α t o.
#autorretrato

Conjugue verbos.
De preferência os bons.
Todo verbo é ação.
E toda ação precisa de um sentido.

E eu gosto de sentí-los.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

NÓS SOMOS A FAVOR DO TRÁFICO!




                                                                                  
“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos                                                                                                       violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética...
                                                                                       O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
                                                                                                                                           Martin Luther King.


Essa frase soa estranha para você que também é contra o tráfico, não?
Pois é, mas mesmo você se rotulando contra o tráfico, você apóia o tráfico todos os dias!
Nós, essa sociedade egoísta, hipócrita e alienada, somos os maiores – ouso dizer até únicos – responsáveis pela morte de jovens (brancos, negros, japoneses, mamelucos, caucasianos, ou qualquer coisa) todos os dias nas comunidades do Brasil.

Sim. Eu disse; nós. Somos nós que armamos o tráfico, nós que puxamos o gatilho que matam os nossos jovens, nós que roubamos as oportunidades dos jovens que sobrevivem no morro. 

Como isso? Explico.

 Ao ser CONTRA a legalização das drogas, você FORTALECE o tráfico nas comunidades carentes. E carentes de TUDO! 

Quando você fica doente, normalmente, corre até uma DROGARIA para poder tomar um remédio que aja e te deixe melhor, pois bem, como o próprio nome já diz, você está tomando uma droga para se sentir melhor. E não pense que a indústria farmacêutica é boazinha quando fabrica os remédios. Não. Há muitas conversas – que não sei se são tão conversas assim – que médicos e químicos já descobriram a cura para doenças graves E A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA NÃO PRODUZ! Claro, é mais lucrativo depender os necessitados do que curá-los!


    Não ser a favor da legalização das drogas, faz com que financiemos o tráfico, nós permitimos que o tráfico tenha capital de giro para comprar armamento de policiais tão criminosos quanto os próprios traficantes. Nós damos o poder para eles TODOS OS DIAS não sendo a favor da legalização das drogas. Somos nós que tiramos a vida e as oportunidades dos jovens, todos os dias, não sendo a favor das drogas!

Enquanto estamos parados discutindo a moral do: “As drogas são ruins e não devem ser legalizadas”, existem jovens morrendo – e mães chorando – estes mesmos jovens, vendo no tráfico sua ÚNICA oportunidade de ser alguém. É louco, mas dentro daquele universo, acabam sendo mesmo.


      Vinho, cerveja, vodka, uísque, charuto, cigarro, remédios e etc., todos, eu disse todos, são drogas legalizadas. Porém sobre elas, há orientações sobre os riscos de seu uso. Usa quem quer; consciente de seus riscos ou não. Há propagandas de cervejas nas TVs (a maioria das pessoas, acha bonito) e quando eu era criança lembro que as TVs transmitiam campanhas de cigarro, hoje não mais. Os cigarros são vendidos com imagens e mensagens sobre os riscos de seu consumo. Remédios possuem bula e suas propagandas têm observações sobre seu uso de modo indevido.  


E O TRAFICANTE?


BOM, ele vende fiado, às vezes, cobra a dívida com sangue. Mistura drogas para torná-las potencialmente mais dependentes, aí, vendem como uma “ervinha inofensiva”. Ah! E não avisam sobre os perigos de seu uso, não! Não querem nem saber.
Recrutam jovens que, sem oportunidade e perspectiva, são facilmente ludibriados com “o seu lugar ao sol”. Podendo assim, comprar o tênis, a roupa, “o ambervision, frigi-diet, celular, master-line , camisinha, camisola e kamikaze” ou qualquer coisa que a classe A/B esbanja por aí, e que agora com as redes sociais conectando cada vez mais os universos,  sem que a diferença entre eles diminua, estejam certos que, estes desejos em quem não possui tanto, ou tantas oportunidades, só tendem a aumentar. É tão claro e cristalino quanto o rio Tietê já foi um dia que, com isso, a criminalidade SÓ aumenta. E você aí contra a legalização, enriquecendo os tráficos.

Bem, eu sou USUÁRIA de medicamentos quando preciso, eu sou usuária moderada do álcool, porém sou consciente de seus malefícios quando o uso é exacerbado, como também dos benefícios quando o consumo é moderado.
As demais, nunca me apeteceram.

Diferente do Tietê, que está poluído, a poluição não está nos traficantes e ou usuários, está nos olhos turvos, nos ouvidos sujos e pulmões infectados da população pseudo moralista, pois é nela que está toda essa sujeirada. Afinal, tudo tem seus dois lados, mas é mais fácil apontar seu extremo.

E você aí, sentado, contra a legalização.
E você aí sentado, a favor do tráfico e da morte de quem já não tem mais nada a perder.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Espinhos

Aí está.
O ciúme que não se via ou sentia.
Aí está.
É na ausência,  sempre na ausência, do que não se tem que ele aparece.
Aí está.
Alguém que depende, que se tornou alguém, que novamente, deixa de ser alguém... Tão belo para si.
Aí está.
Nas linhas invisíveis do que doamos é que se imprime sem ver, o que vamos nos tornar com o que vamos receber.
Aí está.
Agora alguém que nada mais tem a oferecer ao outro.
Aí está.
Esparramado e torcendo o veneno líquido que foi derramado.
Aqui estou.
Sem estar.

Por: Jessie                         

                                       Tal como Clarice, a        dor me faz sentir.

terça-feira, 14 de julho de 2015

De coração para... De um coração que para por não saber.

"...Saber amar,  saber deixar alguém te amar..."

Das coisas mais tristes que se pode constatar a maior delas é:
Quando você acha que sabe amar e percebe que desaprendeu. E pior, nem sabe mais receber amor.
De tanto ser um, desaprendeu a ser dois.

Pior do que não ter amor no coração, é ter e não saber mais como manifestar.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Reverência

E me curvo, diante do silêncio, da respiração presa pela expectação do espectador.
E sou tomada por seus silêncios, suspiros, pausas dramáticas e, até, um leve movimento para encontrar a melhor posição e acompanhar atento o que sucederá diante de seus olhos. 
Do lado de cá do palco, somos mais que espectadores, nós, os artistas, somos no som da palavra, como quem nos assiste; expectadores. 
Nunca, em qualquer palavra pertencente ao dicionário, um homófono* foi tão bem empregado.
                Somos nós, os carentes de atenção, esperando por cada movimento sutil da platéia e que sugira um registro de emoção interna, ainda que exteriorizado  de uma forma imperceptível aos sentidos do emitente. Nós, os artistas, principalmente da arte viva, da arte que depende do espectador para sermos completos, nos tornamos, também, expectadores de sensações . Quando acabada a execução da nossa arte viva, a atmosfera do espaço coxia/palco/platéia, é a exata simbiose entre nós; os reais expectadores com os reais espectadores. 
Disse e repito: me curvo, diante do mágico enlace natural de expectador e espectador, enlace este, que é o verdadeiro alimento da alma do artista.

Por: Jessie Miranda.

sábado, 7 de março de 2015

Nos sonhos

E aí, no sonho, em meio a uma tumultuada noite de fuga, dessas todas aventuras sem sentido que vivi, durante alguns anos, que busquei por ter deixado parte da minha identidade em alguém. Em meio a noite em que a brisa mal circulava, o asfalto molhado pela chuva, que havia acabado de acontecer.
  Fugia. Das motos, dos carros que, secretamente, eu havia batizado de corvos, ou covil mesmo (no pior dos sentidos). Houveram destes, alguma sinceridade e interesse puro, mas, no dia da fuga, nenhum destes estavam por lá.
  Em meio ao medo, angustia, agonia e uma respiração ofegante que parecia nunca cessar, livre, mas presa, em becos escuros, um matagal sem sentido que não findava no olhar, em meio a tudo isso, escolho entrar em um desses caminhos, mesmo sem saber onde ia dar.

De lá, bem ao fundo ouço vozes, gritos e risadas altas, mas distante, de olhos fechados e cabeça baixa, respiro fundo e dou o primeiro passo que me encoraja a continuar. Sou barrada com um acidental choque corporal. Toninho (desencarnado). E eu, no sonho, consciente disso. Ele me diz:

- Ô, menina, é você? Olha, não segue por aí, não. Você não vai gostar do que vai ver. (Caminhando com pressa) Vem por aqui, sei de alguém que vai gostar de te ver. Como está o Nathan?

Atônita, seguindo ao lado dele seus passos apressados, respondo:

-  Está bem, Seu Toninho. (pausa) Está um moço lindo, seu neto. Precisa ver...

- Que bom, menina! No fundo eu sei. No fundo eu sabia. Vamos seguir por ali (aponta).

- Ah! Tenho uma foto dele na carteir... Toninho?! Seu Toninho?!

Como todo bom sonho maluco, desses que as pessoas somem do nada, Seu Toninho sumiu. Que esteja em um bom lugar. Sigo no destino que ele indica. Dali, a noite começa parecer despedir-se, noto aquele profundo azul, quase negro, graduar seus tons, lentamente. Olho ao redor, aquele lugar onde fui deixada, parecia um átrio a céu aberto. Sem todas aqueles sentimentos típicos de perseguição, mas triste por seguir sozinha, sem saber para onde nem para quê, uso o mesmo ritual de encorajamento para escolher o caminho e, antes de completar o primeiro passo, alguém repousa a mão no meu ombro esquerdo, uma mão firme, de dedos longos e largos, uma mão que, apesar da lida com o trabalho pesado, era a mão mais macia que já conheci. E aquele perfume... Ah aquele cheiro, eu, amo sonhos que trazem até odores como composição, são sempre os mais reais, trazem até sensações físicas. E aquele cheiro...único. Inconfundível!

- Pai?!

Como na dança, giro no eixo para o lado da mão que me procurou. Sou acolhida num abraço. Longo, saudoso, eu numa sensação de alívio, ele, de paz. Recebo um beijo na testa, pude sentir - como sempre- até os fios do seu bigode. O laço se desfaz do abraço, e repousa nas mãos. Entrelaçamos as mãos, minha esquecida em sua mão direita, e tudo tão real. Seguimos durante muito tempo assim, unidos, mas calados. Curtindo aquela saudade que, parece que mesmo com a presença, não cessa.
Falar contigo sobre os nossos te contar como estão todos, perceber que está bem, saudável e com semblante de paz, receber mais um abraço de despedida, sem saber que era de despedida. E acordar com o despertador, é como todas as vezes em que precisou me acordar.

- Acorda filhota, está na hora.

Obrigada, por me acordar, por vir me visitar. Obrigada.
Beijos.