São Paulo, 3 de junho 2012.
Hora inicio: 01: 47
Hoje olhei meu e-mail e resolvi fazer uma faxina no meu pobre cansado e carregado e-mail. Ainda nem terminei, mas por
algum motivo (e achados) muito particulares, me senti inspirada resolvi escrever.
Até retomei folego que havia sumido de algumas cabeçadas que ando dando pela vida.
Enfim, vamos ao e-mail.
Sempre ia respondendo, enviando e-mails e quase nunca tinha o costume de apagá-los,
em meio a bagunça de sentimentos que venho sentindo de confusão que está na
minha cabeça nesse tempo todo, comecei a olhar aquela lista sem fim e resolvi
que era hora de jogar muita coisa fora. MUITA COISA MESMO!
Comecei através do meu e-mail, um mergulho no meu passado.
Nossa! Quanta coisa eu encontrei, comecei a olhar meus erros e acertos. Se eu
senti tanto (bom ou ruim), outras pessoas sentiram também. E através de 2000
e-mails, entre enviados e recebidos, comecei a viajar no tempo. Descobri coisas
a meu respeito que eu acho que nunca soube que tinha (mas que sempre souberam
por mim), comecei a enxergar com clareza meus erros, meus acertos, e tudo que
eu fui, e no que fui me transformando no decorrer desses anos.
Achei tanta coisa fútil, coisas que eu nunca ia se quer ler,
tanta coisa linda (que essas sempre estarão arquivadas, não irão pra lixeira), tantos desabafos (meus,
de segundos, e terceiros), tantas verdades ditas através da escrita, e foram essas verdades que fizeram cair as fichas mais pontuais, e conclusivas das minhas atuais inquietações (e mesmo doídas, essas verdades também não irão para a lixeira, pois através delas pude concluir muitas coisas).
Já tem um tempo (algumas semanas) que venho me sentindo “mais velha”, posso
dizer até mais “careta”, e o que me levou a sentir isso, foi olhar para dentro,
mergulhar (ainda que de maneira torta) na minha dor, e começar a “leitura” do
meu passado, me fez perceber o ponto alto dessa “maturidade” e isso permitiu ver exatamente minhas maiores
falhas.
Hoje com um pouco mais de “maturidade”, consigo perceber O TAMANHO de coisas que
antes, eu jamais perceberia.
E se, tudo tivesse ocorrido hoje, eu notaria as consequências, só por observar,
sem precisar viver as “tais”, ou não, eu realmente precisei passar por
meus erros tão brutais e imbecis para crescer um pouquinho, e perceber que, SIM,
contribui diretamente com as consequências que a vida me trouxe.
É.... já diziam, a vida ensina!!!!
Lá atrás, haviam tantas feridas inflamadas (pelo blog mesmo é possível vê-las), que ao invés de limpá-las (pois afetavam minhas vistas, e envenenou meu coração),
eu preferia cultivá-las, ao invés de mandar tudo que era ruim embora, ficava ali,
gostando do sofrimento, e muitas vezes, mas muitas vezes, metendo os pés pelas mãos. Dessa forma, não conseguia enxergar minha real imagem a um palmo de minha
frente.
Algumas mulheres, quando feridas, tornam-se o verdadeiro demônio, e através do
calor da saraiva de ódio que sentimos (de nós mesmas na maioria das vezes), sem
saber, muitas vezes fazemos mal a quem mais amamos e a quem mais queremos ver bem.
Errei, errei muito, errei querendo errar, errei querendo acertar, errei até
tentando consertar os erros.
(os meus, e os seus)
Errei, e com minha contribuição, o destino criou um fantasma no lugar de outro (quem deu ordem, Sr. destino?),
e resolveu substituir (sem avisar), que iria trocar de “vítima”, mas eu viveria
outro fantasma se fosse para o seu ir embora. Eu viveria quantos fantasmas fosse
necessário viver, para você não precisar viver nenhum.
Eu errei, e recentemente errei também, errei talvez mais uma vez para tentar
tapar o sol com a peneira, para tentar achar as respostas...mas agora eu descobri que não quero respostas!
Prefiro as perguntas, essas de fato, são importantes! Eu quero sorrisos, o seu, o meu e os de quem nos querem bem......
Errei. É claro, quando estamos perdidos no escuro, damos tantos passos cheios
de desespero que “batemos canela”, sofremos pequenas e grandes quedas,
tropeçamos em pessoas, ferimos outras, por simplesmente querer alcançar a
claridade.
E realmente, cabe a quem julgar????
Não, não sou eu quem vai exercer esse papel daqui pra frente!
Talvez tenha feito tanta coisa “ruim” mesmo sem perceber os malefícios, que
algo tão delicado e precioso, não tenha forças para ser recuperado. Mas
diferente de muitos momentos, eu claramente enxergo as minhas falhas, e não as
quero mais comigo.
Nem com ninguém na realidade!!!
Meus olhos hoje estão abertos, mesmo ainda desacostumada a
essa claridade que chega doer a vista, gosto de começar a enxergar a minha essência,
a essência do que eu senti quando olhei pela primeira vez naquele par de olhos
cor de mel. Iguais aos meus.
Quero olhar esses olhos novamente, e restabelecer a força que essas almas
tinham antes de ganharem suas dores, antes de ganharem suas quebras. Com as
almas feridas, os olhares “perderam” um pouco o brilho, mas eu sei a força que
essas duas almas quando inteiras tem, já vivi isso. São duas partes inteiras de
um mesmo instrumento, lutando por uma mesma causa, soar harmonicamente, e não
duas metades, dois instrumentos.
Hoje é um cristal quebrado? É. Mas ainda reflete o arco-íris quando o sol toca.
E é tão lindo!
O primeiro passo é reconhecer!
Da renovada
@JessieMiranda
Hora termino: 2:47